Tirreno Da San Biagio é sem sombra de questionamentos um dos nomes mais importantes da história de Mogi das Cruzes e da área Alto Tietê. Jornalista, teve o primeiro contato com o a área da comunicação aos 20 anos de idade e trilhou uma trajetória de sucesso, fundando o jornal O Diário de Mogi. Na próximo sábado (19/10), “Tote”, como era conhecido pelos amigos, completaria 93 anos de idade.
Além do mais, a semana iniciou com outra data marcante. Na segunda-feira (14/10), foram completados exatos nove anos de morte de seu “Tote”. Uma data para relembrar o legado e a influência que ele exerceu na comunicação de todo o Alto Tietê e como participou de forma ativa da história de Mogi das Cruzes e de toda a área.
Nascido em 19 de outubro de 1931, Tote foi o filho caçula de João e Elisa Da San Biagio. Mogiano do Largo do Bom Jesus, iniciou a trabalhar bem cedo. Exerceu trabalhos diferentes, como office boy, serralheiro, atendente de consultório e até jogador de futebol, quando defendeu as cores do XI da Saudade.
Conheceu o jornalismo aos 20 anos de idade, em 1951, quando bateu na porta dos irmãos Jayme e Isaac Grinberg atrás de uma vaga anunciada para trabalhar no escritório do jornal Folha de Mogi, único da cidade até então. Foi naquela redação que ele deu os primeiros passos na comunicação e onde conheceu a encantadora Neid Brandão, a sua primeira e única esposa, mãe dos filhos Spartaco, 63 anos, e Túlio Da San Biagio, 59.
Permaneceu na Folha até 1957, quando viu o jornal ser vendido para outro grupo e não concordou com as mudanças drásticas na linha editorial. Acabou saindo da Folha de Mogi junto a Neid, com quem se casaria dois anos depois.
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O Diário de Mogi
Com espírito empreendedor e afeição que tinham através da profissão, Tote e Neid juntaram o dinheiro da indenização e adquiriram, a período, uma Linotipo, máquina de compor e fundir caracteres de imprensa para formar linhas, ainda no chumbo. Depois de cinco meses, O Diário de Mogi foi às bancas da cidade na manhã de sexta-feira, dia 13 de dezembro de 1957. A primeira manchete relatava a eletrificação dos trens de subúrbio.
No livro “O Diário de Mogi, 50 anos”, escrito por Nivaldo Marangoni, postado no mês de dezembro de 2008, é citado o primeiro expediente oficial do jornal, feito na rua Barão de Jaceguai, número 388. O diretor responsável era Tirreno Da San Biagio, o gerente José Maria de Souza, Theóphilo Salustiano Passos escrevia o Rotary Club, Walter Josevicius as sociais, Roberto da Silva o esporte e Paulo Roberto da Silva as reportagens.
Na obra, Neid Da San Biagio disse sobre o nascimento do jornal. “O Tote me perguntou se topava montar um jornal só nosso. Pensei bem e como já o conhecia havia alguns anos, inclusive namorávamos, resolvi aceitar. Pensamos muito, sabíamos dos riscos, mas acreditava que a força do trabalho e uma proposta de Jornalismo sadio e sério, como queria o Tote, viria a nos dar muito prazer. Foram mantidos os contatos com vários amigos da cidade, futuros funcionários e, em dezembro, colocamos o jornal nas ruas. Foi muito gratificante toda aquela correria e pressa. O tempo passou e provou que o sonho pode ser realizado quando se acredita nas pessoas e em Deus”, diz Neid.
Naquela época, conforme com a publicação, existiam “apenas” em torno de 70 mil mogianos. O impresso caiu no gosto popular do povo que queria estar bem-informada. Se tornou sólido e famoso no município, documentando e reportando muitissimos eventos marcantes para o município de Mogi das Cruzes e do país.
Apesar das tentativas de censura, principalmente no decurso da ditadura militar, a postura editorial do Diário de Mogi sempre prezou a liberdade de expressão e opinião, o que incomodava alguns setores da política local. Conforme a obra de Marangoni, o jornal recebeu ameaças talvez por não atender aos anseios de alguns militares mais exaltados.
Os amigos
O cirurgião-dentista e amigo de longa data Miguel Nagib, 94 anos, explicou que se encontrava através do menos uma vez por semana com Tote, na confraria da Chácara Santa Fé, para conversar e cantar. “Ele foi um jornalista que enfrentou uma série de problemas, desafios, principalmente na área política. Ele foi uma pessoa muito importante para a nossa cidade, enfrentou a classe política que o questionava por conta das reportagens que eram publicadas no jornal. Não era ótimo apenas como jornalista, mas também como amigo”, diz Nagib.
O fundador e Presidente do Conselho de Gestão da Helbor Henrique Borestein (88), é amigo de infância de Tirreno. Assim como Nagib, relembra os bons momentos que viveu ao lado dele. “O Tote era um grande amigo meu. Estudamos na mesma época, e se tem uma afirmação que posso fazer é que foi uma amizade que durou até o último dia de vida dele. Quando lembro das histórias é inevitável não rir porque ele era muito interessante. Mas, além de tudo, o Tote era uma pessoa muito humana, muito bacana e que ajudava todos que podia. Não tinha como não gostar dele“, comenta Borestein.
“Como fundador do Diário de Mogi, ele exercia a sua responsabilidade com a sociedade por meio do jornalismo, que, naquela época, trazia nas páginas impressas as principais notícias e personagens da cidade. Sinto muita saudade desse tempo que não volta, como também tenho muita gratidão por ter tido a oportunidade de ter vivido momentos tão bons com ele e que eu guardo com muito carinho”, lembra.
Transformação e inovação
Além do impresso, o nome Diário invadiu as estações de rádio, também sob o comando e a supervisão de Tote, com a Rádio Diário de Mogi. No começo dos anos 2000, o legado continuou com o filho, Túlio Da San Biagio, que inaugurou uma afiliada da Rede Globo no Alto Tietê, a TV Diário.
Tirreno Da San Biagio morreu no dia 14 de outubro de 2015, aos 83 anos, deixando esposa Neid, os filhos Túlio e Spartaco e as duas netas, Giovanna e Rafaella Da San Biagio. Durante dos anos em que viveu, deixou exemplos significativos na vida das pessoas dos familiares, amigos, empregados, leitores, ouvintes e telespectadores. Foram mais de 60 anos dedicados ao bom jornalismo.
“O destino me deu a vida para lutar. Luto desde quando comecei a enfrentar desafios. O Diário de Mogi significa tudo em minha vida, assim como minha família. Sinto orgulho em saber que somos úteis às pessoas, às instituições e à cidade de que gosto tanto. A vida é uma extensão e conseguimos o que é possível, porém, sempre queremos mais. Eu particularmente consegui quase tudo o que queria e estou agradecido a Deus por isso”, afirmou Tirreno Da San Biagio, no livro O Diário, 50 anos.
O impresso durou 67 anos e seguiu até a última edição, publicada no sábado, 10 de fevereiro deste ano. Apesar disso, a missão de informar e reportar os principais acontecimentos da cidade todos os dias continua sendo cumprida a risca pelos filhos, Túlio e Spartaco, inclusive com dinamismo e velocidade, por intermédio das redes sociais. O jornal O Diário de Mogi precisou se transformar outra vez e já soma mais de 100 mil seguidores em todas as plataformas, WhatsApp, Facebook, Instagram, Youtube, X (antigo Twitter) e LinkedIn. Com destaque para o Facebook e Instagram, com 65 mil e 27,5 mil nesta ordem.
A decisão tomada por Tote e Neid Da San Biagio lá trás, hoje ecoa para mais de 450 mil habitantes de Mogi das Cruzes, além de impactar diretamente também as populações das cidades da área Alto Tietê, Suzano, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Biritiba Mirim, Guararema, Arujá, Salesópolis e Santa Isabel. Tirreno ficou programado por diversas declarações, a mais famosa delas, é: “O jornalista não é o personagem principal nem detentor da notícia. Ela pertence à sociedade“.
Apesar disso, nesta data, o protagonismo é todo dele.
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Fonte: O Diario de Mogi
