O Concurso Público 1/25, da Prefeitura de Itaquaquecetuba, que pretende à admissão de professores junto ao sistema municipal de ensino da Secretaria de Educação, foi suspenso depois de o Instituto IGD-RH, responsável através da aplicação das provas e tabulação dos resultados, receber mais de 500 recursos dos candidatos que prestaram o certame.
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O IGD-RH, inclusive, pediu a adiamento do período, sob alegação de que necessita averiguar os recursos interpostos, movimento que foi concedido através da gestão municipal. No entanto, o concurso fica suspenso até que os apontamentos sejam esclarecidos, conforme informou a gestão municipal.
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O prefeito de Itaquaquecetuba, Eduardo Boigues (PL), foi às redes sociais prestar esclarecimentos sobre o assunto.
“Nós oficiamos a empresa para poder apurar os numerosos apontamentos que foram feitos na última prova e acabou de chegar um e-mail, da própria empresa, pedindo adiamento de período, sob a alegação de que interpuseram mais de 500 recursos.
Para exibir lisura, de maneira transparente, para que, depois de tudo apurado, a gente apresente para vocês tudo [os resultados] de maneira definitiva, fica suspenso o concurso”, falou.
Em comunicado enviada ao O Diário, a prefeitura informou ainda que “está comprometida em promover e cobrar a lisura e transparência no processo para que os futuros professores sejam escolhidos com total imparcialidade”.
Entenda o caso
O Diário também entrou em contato com o MPSP para verificar a veracidade das denúncias, ainda em 14 de março, que respondeu em nota: “O MPSP tem recebido diversas denúncias que estão sendo recepcionadas na promotoria de Justiça de Itaquaquecetuba, e ainda estão em fase de distribuição para a promotoria responsável”.
A reportagem também tentou contato na última segunda-feira (17/3) para conseguir outras informações acerca do andamento das investigações sobre o caso, mas não conseguiu retorno até o momento.
Reclamações
A concentração de notas elevadas gerou perguntas entre os candidatos. Segundo relatos, os 100 primeiros colocados teriam obtido entre 96 e 98 pontos, o que levantou questionamentos sobre a complexidade da prova e a alta nota de corte. Para muitos que participam, os indícios reforçam a necessidade de uma apuração detalhada antes da homologação do certame.
Uma candidata, que preferiu não se reconhecer, afirmou que sua nota necessitaria ter sido suficiente para seguir no processo, mas seu nome não apareceu na classificação final.
“Houve muitas reclamações sobre a falta de acesso ao espelho da prova e ao gabarito individual. Além disso, alguns candidatos relataram que, ao chegarem para a prova, descobriram que seus nomes não estavam na lista de presença e acabaram impedidos de fazer o exame”, destaca.
Entre os principais perguntas fica o alto número de aprovados que ocupam cargos comissionados na gestão municipal, além das notas consideradas excepcionalmente altas. Larissa Batista, que prestou a prova e integra um grupo de candidatos que procuram esclarecimentos, afirma que a lista de classificação final chamou atenção.
“Quando a relação dos aprovados foi divulgada, notamos que vários nomes pertenciam a servidores comissionados. Eu mesma trabalhei como estagiária [em escolas de Itaquá] e reconheci diversos deles entre os primeiros colocados, todos com notas muito altas. Isso nos deixou preocupados”, afirma.
Todas as informações
Em resposta aos perguntas feitos na última quinta-feira (13/3), a Prefeitura de Itaquaquecetuba afirmou que o edital do concurso continha todas as informações, regras e critérios necessários para consulta dos candidatos. Quanto ao número de empregados comissionados aprovados, a gestão municipal declarou que ainda não é viável mensurar, pois o processo seletivo não foi concluído.
A gestão também ressaltou que fica ciente das preocupações levantadas e que já orientou um ofício à empresa responsável através do concurso. O objetivo, segundo a prefeitura, é defender a transparência e a lisura do certame, além de esclarecer os apontamentos feitos pelos candidatos.
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Fonte: O Diario de Mogi
